PARÓQUIA "SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA"
RUA LIBERDADE, 142 - FONE (18) 3623-2435 - ARAÇATUBA-SP

CONVOCAÇÃO


Pe. Charles Borg (21.II.2010)


Conhecer é poder! Entende-se o poder, primeiro, no sentido de capacitação para administrar. Quanto mais apurado o conhecimento maior é a ascendência, e a competência, do dirigente. Mais ampla é a visão. Mais sábias as decisões. Dirigente desinformado é uma calamidade, sério empecilho para um autêntico progresso. Compreende-se porque governantes despreparados preferem a corrupção ou a tirania para manter-se no poder. Outro aspecto de poder que o conhecimento proporciona é o domínio científico sobre um determinado assunto e seus desdobramentos. Conhecendo bem a temática o sujeito a valoriza e aufere dela vantagens surpreendentes e, característica peculiar do profundo conhecedor, ousa inovar e avançar, mesmo agindo com respeito e temor. Quanto mais afiado o conhecimento maior é a capacitação para agir e arriscar-se. O ignorante sofre amargamente. Para ele tudo é oneroso e caro. E para complicar, o néscio é facilmente manipulável. Não é sem motivo que governantes há que, manhosamente, mantêm na ignorância seus comandados! Por outro lado, o dirigente que investe na educação e num ensino genuinamente balizado comprova ser um administrador objetivamente voltado para as legitimas necessidades do povo. Difundir o saber é uma das iniciativas mais qualificadas de cidadania e, certamente, um dos gestos mais eloqüentes da verdadeira caridade. Conhecer é pisar firme num chão familiar! É oportuno ressaltar que saber implica muito mais que informar-se.Vive-se, hoje, graças à Internet, uma privilegiadíssima situação de acesso à informações variadas, múltiplas e instantâneas. Esta facilidade de acesso favorece sobremaneira o conhecimento, mas não o esgota. Não basta ter muitas informações, é preciso filtra-las, organiza-las, confronta-las. Saber exige esforço. Saber exige reflexão, caso contrário as informações ficam na superficialidade, desconexas, passando uma ilusória sensação de conhecimento. Múltiplas e vagas noções não garantem saber, ao contrário, induzem a um dos maiores perigos no processo de amadurecimento de uma pessoa, o de achar-se sábia aos próprios olhos. Quem se julga preparado costuma não escutar os outros. Estaciona. E todo ‘sábio’ que recusa aprender, denuncia a própria ignorância e atesta sua presunção. Excessos dessa natureza encontram-se em todas as áreas do conhecimento, inclusive a religiosa. Muitos são os que acham que entendem de religião, e, por isso, não se aplicam em manter-se adequadamente informados. Esta infeliz estagnação em assuntos de fé os priva de aproveitar favoravelmente das grandes instâncias que a religião oferece. Toma-se, como referência, o tempo da Quaresma, que se inicia. O conceito disseminado reduz o sentido da Quaresma ao jejum e à abstinência de carne vermelha. Estacionado nesses exercícios, o fiel ignora a finalidade principal deste tempo litúrgico, que é provocar no cristão uma reflexão sobre a sua identidade de seguidor de Jesus Cristo. O tempo da Quaresma está intimamente ligado à celebração da Páscoa, do mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. Ora, este mistério escancara o imenso apreço que Deus nutre pelo ser humano, manifesto na pessoa e na vida de Cristo. Na vitória de Jesus sobre a morte celebra-se festivamente a restauração do ser humano. A vitória de Jesus é a vitória da humanidade. E o tempo da Quaresma tem por objetivo principal instigar o Homem a se aproximar mais do ideal desejado para ele pelo Criador. Quando se ignora esta meta, os exercícios tradicionais da Quaresma ficam insossos, desconexos e estéreis. Por outro lado, quando se assimila a essência deste período litúrgico, - a transformação da vida pessoal, comunitária e social – o fiel sente-se motivado a inovar em suas práticas penitenciais e rituais. Convenhamos, sentir fome e abster-se de comer carne vermelha não têm mais o impacto de outros tempos, afinal, muita gente faz essas ‘penitências’ com desnorteante freqüência. Quaresma não é uma imposição. É uma convocação. Urge conhecer-lhe o sentido e assimilar-lhe o alcance. Abraçar esta jornada, atender à convocação assegurará, certamente, consistentes benefícios, tanto no plano individual, como também coletivo e comunitário. Pe. Charles Borg, Vigário geral da diocese de Araçatuba, autor do livro VENHAM COMER, Ed. Edusc.

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