PARÓQUIA "SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA"
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FORMIDÁVEL UNIÃO


Pe. Charles Borg (15.VIII.2010)


Estranha recomendação! Os atuais manuais de catequese recomendam cautela quando se aborda o assunto família em encontros de formação religiosa. A razão, obvia, é que o contexto família encontra-se muito confuso. Não existe mais um único, e estável, modelo de família. Arrisca-se afirmar que em breve o padrão família tradicional virá a ser uma exceção. Intriga imaginar o conceito de família que fazem as gerações mais novas, com tantas informações sobre modelos de casamento anunciados e vividos. Tremendo desafio, em especial quando os novos modelos de convívio recebem tão alardeado destaque. Por outro lado, emerge uma impertinente constatação, o esfacelamento do modelo de família tradicional, a ruptura de vínculos consistentes entre esposos e entre pais e filhos têm sido apontados como um dos fatores primordiais para a desintegração da sociedade. Acompanha-se um angustiante paradoxo, ressente-se a gravidade do desmoronamento da família, e ao mesmo tempo, propagam-se, com grande desenvoltura, liberdades e infidelidades que só prestam para desarticular famílias e desgastar laços conjugais. Parece desnecessário afirmar que a família está como um alicerce para toda sociedade. Todas as culturas conhecidas consideram o núcleo familiar indispensável para preservar raças e tradições. Reconhece-se, evidentemente, que o conceito família foi se modificando e se ajustando de acordo com a evolução da civilização. Épocas houve quando a realidade família incluía o parentesco amplo. Família e colônia praticamente se confundiam. A urbanização e o mercado de trabalho influenciaram muito para reduzir a família a núcleos cada vez mais restritos e isolados. O padrão família de contato constante e interdependente entre parentes de vários graus foi celeremente sendo substituído por núcleos cada vez mais isolados e compactos. Os novos casais se vêem obrigados a migrar em busca de melhores oportunidades para a vida, e com isso forçados a distanciar-se não somente dos parentes, mas também de raízes e tradições que dão segurança, apoio e direcionamento. Muitos casais novos vivem só, em ambientes diferentes, tentando se ajustar a costumes desconhecidos. A ruptura de laços afetivos e o rompimento com as raízes são apontados como fatores primordiais a fragilizar as novas famílias. Isolados e atarefados os casais nem sempre sabem como lidar com os variados desafios que inevitavelmente emergem. Sem apoio e sem referências sentem-se não raramente perdidos, incapazes de lidar com os revezes que surgem. Daí para o esgarçamento do relacionamento é um pulo. Imaturos e desassistidos julgam-se prematuramente fracassados e rompem alianças. A freqüência com que esta situação sucede leva alguns observadores a questionar a instituição do matrimônio como uma união estável e duradoura. Apressam-se a afirmar que o modelo de casamento indissolúvel está falido. Emerge uma nova doutrina que considera desumano impor sobre os casais a obrigatoriedade de viverem junto para o resto da vida. É mais fácil e prático, é menos traumático, reduzir o casamento a um contrato que tem valor enquanto as partes assim optarem. Quando julgam estar desgastado o relacionamento rompe-se o contrato e cada um procura outros caminhos. Concede-se, esta maneira de pensar o matrimônio sempre existiu, não com a desenvoltura dos tempos modernos. O que se deve procurar estabelecer, portanto, e com critérios, é se, para a sociedade e para a própria família, é melhor que os casamentos sejam dissolúveis ou indivisíveis. Amplo e complexo debate, que fundamentalmente repousa no conceito primordial que se faz do matrimônio. Visto e vivido na perspectiva de parceria o casamento fica regido por regras contratuais. Enquanto houver interesse das partes, subsiste. Quando, contudo, surgir um negócio melhor dissolve-se a sociedade e cada parte procura o que for melhor para ela. Ora, nenhuma sociedade que se pretende ser sólida pode alicerçar-se em fundações tão movediças. É do bom senso! É da lógica! Matrimônio deve ser visto e vivido como uma vocação, um ideal ao qual tudo o resto fica sujeito e condicionado, porque fundado num relacionamento amoroso consciente e livre. Ora, é próprio ao amor sincero ser perene! Estável! E isto não por imposição, mas de acordo com o curso natural do sentimento. Tão verdadeiro que nem a morte apaga um amor genuíno! Formidável união. E exigente. A ser zelosamente protegida! charlsbg@terra.com.br

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